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sábado, 4 de dezembro de 2010
Aos Martires dos Morros Cariocas
Aos mártires dos morros cariocas!
A Todos Aqueles com quem não partilhamos;
Todos Aqueles que evitamos - excluimos;
Àqueles que o mínimo respeito e previsão omitimos;
Aos que fingimos não ver - não existir!
Aos que não nos pertencem!
...com os quais compactuamos com o inevitável.
Que venham as creches,
as escolas,
os bons educadores,
o saneamento básico,
a medicina preventiva,
o transporte público eficiente,
arroz, feijão, internet - livros!
seu olhar no meu olhar simples e humano
um belo amor de coxas firmes e dengosas!
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010
O Panorama da Literatura Atual?
vc me pergunta sobre o panorama da literatura atual, o que vejo?
vejo que acorda o animal faminto das novas gerações, que sem controle ou arreios de punhos firmes e definitivos, se lança diante da farta transgenia literária que surgiu com o advento mágico da internet.
agora somos todos escritores!
não mas preciso unicamente o caderno e o lápis para o solitário exercício da linguagem fisicamente contida sob o jugo normativo e intelectual dos controladores de vôos literários que nos rodeiam. professores, amigos, patrões, colegas de trabalho, namorados/as, doutores, nobres donos das certezas, padres culturais e rabada religiosa foram todos demitidos do comando do autoritário texto.
com o surgimento dos orkuts, hi5s, spaces, msns, blogs, twitters, wetc.com... a literatura perde suas estribeiras, multiplicam seus conduítes, suas próprias vias estruturais e se lança vulgar e promíscua para o registro de todos os (contra) sensos - na contrapartida de que haverá sempre um leitor pronto e receptivo, ávido por encontrar, no outro, o cúmplice que habitará seus refúgios.
a literatura agora é re-pública! é de todos! mesmo que mudem os sistemas normativos, este logo será desestabilizado em nome do efeito estético significativo de uma nova ordem para o texto.
espaço aberto àqueles que queiram se comunicar buscando novas ferramentas onde o texto ainda domina porque encontra e congela - com o registro gráfico seqüenciado, ou não - a expressão “exata” - ou não, imprimindo novas formas ao corpo digital que navega em liberdade exteriorizando crenças e sentimentos - do posto que a palavra encontra eco em todos os sites, blogs e spaces naves - e que a todos e a ninguém pertence!
a literatura de centro e periférica perdem suas referências físicas, se cruzam rapidamente e se alternam especulando troca de essências e experiências. de forma rápida e descartável são confortavelmente assentadas nas telinha dos novos (não por muito tempo) "LCDs" - personalizadas, originalizando a palavra nova que logo nos representará em nosso tribunal de última estância.
adeus aos senhores legitimados pelas sauros-academias com suas leis grafadas em certificados rupestres. dos museus às salas cirúrgicas digitais: os cânones, os normativos, os clássicos serão todos surpreendidos e violados.
por força e necessidade, nossos jovens hiper-nautas pertencentes a multiplicidade de todas as tribos - universalizados no estrito espaço de seus micros-computadores – conhecem línguas e dialetos que não compreendemos. novos subversivos que já não se atêm aos limites dos nossos controles estrangeiros impostos às suas realidades ilimitadas.
encontram desvios, e nos escapam.
rm 29/08/08
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Meu em mim Augusto dos Anjos!
Augusto dos AnjosO saber das ciências empolgava o mundo na virada do Século XX. As pessoas antecipavam, num “frisson” do imaginário coletivo, o que viria a lhes acontecer no futuro. Consciências criadoras inspiradas no racionalismo científico que predominava, era a musa imaterial dos inúmeros escritores e artistas da época. A “belle époque” dava-se com todo seu esplendor diante da eminente realidade competitiva e impessoal que os novos tempos delineavam.
Augusto dos Anjos se destacou esmiuçando os mistérios do cosmo e da vida, o cataclísmico embate dessas forças transformadoras, que conspiram para a diluição do universo, onde se abriga um impiedoso Deus devorador das formas materiais, de quem nada lhe escapa ao glorioso ciclo de destruição. Tudo converge para a recomposição de novas formas, que mal se adapta, mal se conforta, se aplaca, e pouco a pouco se transforma: da dissimulada harmonia, surge a inquietante aflição melódica do universo “anjeliano” - que se repete na contínua ressonância das palavras, assim como na vida.
Trágico e fatalista, incontido na percepção do século que nos deixava, soube cantar as terminologias das ciências sem cair no conceitualismo cientificista que apenas alimentava a angústia metafísica humana. Afinadíssimo tenor das palavras, aspirava, no futuro incerto de um século que se acendia, os acordes do canto lírico da impotência humana diante da suprema força de um Deus onipotente e devorador da matéria, em eterna fusão inacabada.
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...e para não interrompê-lo:
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VOZES DA MORTE
Augusto dos Anjos
Agora sim! Vamos morrer, reunidos,
Tamarindo de minha desventura,
Tu, com o envelhecimento da nervura,
Eu, com o envelhecimento dos tecidos!
Ah! Esta noite é a noite dos Vencidos!
E a podridão, meu velho! E essa futura
Ultrafatalidade de ossatura,
A que nos acharemos reduzidos!
Não morrerão, porém, tuas sementes!
E assim, para o Futuro, em diferentes
Florestas, vales, selvas, glebas, trilhos,
Na multiplicidade dos teus ramos,
Pelo muito que em vida nos amamos,
Depois da morte, inda teremos filhos
domingo, 2 de novembro de 2008
O Contexto Histórico do Meu Romantismo Atual!
A trama de “Romeu e Julieta” não foi inventada por William Shakespeare.Segundo a enciclopédia virtual http://pt.wikipedia.org/, a peça é a dramatização do poema narrativo de Arthur Brooke, que também não o criou.
Originalmente, derivava de uma história de Masuccio Salernitano, “Mariotto e Gianozza, em Il Novelino”, de 1476; assim mesmo, como título de ópera;
...estória essa que teve ainda um toque a mais em sua multiplicada composição por Luigi da Porto, que deu a forma moderna e um novo título:
“Istoria novellamente ritrovatta di due Nobili Amanti";
...dando o nome de “Romeus e Giulietta” aos personagens principais e mudando o sitio da história original, antes cidade de Siena, para Verona.
Simplificando, vemos que é justo recordar a máxima popular que se repete nada se cria, tudo se transforma, e agradecemos a Shakespeare por ter assomado à textura da obra que então passava a se chamar "A Trágica História de Romeu e Julieta", de 1562, adicionada de novos enriquecedores elementos.
De modo geral a história de amantes com destino trágico - onde o Amor extremado, sujeito a emoções sem limites, lança-se, às últimas conseqüências, ao encontro do amante idealizado, mas encontra ali, em igual contrapartida, o “Ódio!”
Imposto e Intransponível, que prenuncia a morte sufocando a realização dessa paixão etérea - tem paralelos com muitos contos similares em diferentes culturas;
...em contínua evolução...
...transformação de gêneros e correntes literárias, onde o contador da vez, leva às últimas conseqüências a idéia de que o sentimento deve sobrepor-se à vida e a razão.
Camilo Castelo Branco nos chega em 1862 com “Amor de Perdição”, considerado um “Romeu e Julieta” lusitano, consagrando o Romantismo português levando ao exagero seus ideais românticos;
...conta a estória do amor impossível entre os jovens “Simão e Teresa” que buscam conquistar um ao outro, objetos recíprocos de fulminate paixão,
...condenando trágico destino aos nossos heróis, buquê de flores - que se perdem em busca desse amor inrrevogável, separados por desafetos, rivalidades e os deslimites de ventos inavegáveis.
Os dois textos se acrescentam e se completam no imaginário de sociedades hierarquizadas;
...dividida em classes sociais;
...cujo poder centralizado na autoridade da escala superior, determina e fiscaliza os limites comportamentais das classes subseqüentes inferiores;
...impondo regras que devem ser obedecidas sem questionamentos ou defesas, pois, supostamente, equilibram e favorecem a estabilidade do sistema social vigente.
A exemplo de sujeição que nossas mulheres heroínas vivem, nos dois relatos, elas amam e desejam com extrema ansiedade;
e à excitante agonia dos conflitos se entregam, se submetem;
...ora aos devaneios idealizados da paixão, ora ao exame corrompido e aos tormentos da consciência presa aos ditames sociais.
Em especial, as duas são “condenadas”, e reagem cada uma, à sua forma, à lei do casamento “arranjado” - que selava a união dos noivos por motivos políticos ou financeiros.
Essa é a historia da criação romântica, de um estado de espírito romântico, que esclarece toda uma visão de mundo a partir do próprio indivíduo centrado em si mesmo, criando heróis idealistas, que clamam suas paixões utópicas, berram por amores ideais! - ainda que trágicos - a ferros - em conflito com os objetivos traçados pela sociedade.
...e determinado a curtir essa paixão ideal, esse desregrado convite de Eros, mesmo que por alguns dias, horas, minutos! E pronto!
Cego e Feliz sabendo que abriu mão de um futuro estrangeiro, um exílio “promissor”, confortavelmente sentado a nau de uma existência vil e corrupta que segue lentamente massacrando os sentidos.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Feria Del Libro, Buenos Aires
34 Feria Internacional del Libro, El espacio del lector, 24 de abril al 12 de mayo. La Rural Predio Ferial de Buenos Aires. Plaza Italia....trocando línguas.
Flanava ansioso por ti conhecer, na tua intimidade, entranhas de tuas vielas, teus cheiros de flores e corpos passados, mal passados, maturando ao leche.
Nada de muito científico que justificasse corromper minhas instâncias primárias, deter o animal nascido em Salvador, que me dá saúde e me faz avançar por entre estas arborizadas, assépticas, simétricas mui tranquila calles.
- "Holla", dois jovens que se me apresentam, me espremem em seus braços, me beijam no rosto colado e tiram do bolso um maço de pesos, resultado de coisas e mais coisas que não entendo bem como foram trocadas pelos sopros de minutos de suas preciosas vidas.
O motorista do táxi que me leva a Fiera del Libro recita Borges, Huidobro... Pasmo: Cesar Vallejo.
Entoada digna de Gardel, ao som de músicas folclóricas, exegese que me faz compreender tangos, e o porquê de tantas librarias.
Posso escutá-los, meu show particular no trânsito que não incomoda. Poucos automóveis, muitos antigos, o clima frio, a arquitetura de uns poucos séculos idos, preservada, adormecida diante da ânsia demolidora e do stress insuportável das estúpidas economias emergentes.
Revejo cenas de um filme de Felline e lembro que ainda ontem deixei você casado, com filha, bem arrumado em Salvador.
O táxi me despede na Plaza Italia, bairro portenho de Palermo, em frente ao prédio de La Rural. Uma multidão se aglomera à porta diante dos curralitos, pareciam todos animais famintos por livros, ávidos por uma sabedoria que lhes completem as continuas vagas da existência, os calafrios estomacais das depressões matinais. Entrei de estouro levado pela enxurrada humana salvando intacto do guilhotamento meu nobre convite de poeta português.
Mas ali só encontraria a representação gráfica de vidas intensas que corriam lá fora. Fucei, xeretei, cheirei, coloridos de pabellón verde, amarillo, azul, Rojas, Gorriti, Lugones, Cortázar, Jorge Amado, Clarice Lispector...
...o que estaria fazendo você agora, às 15 horas de domingo que aos domingos nunca retornam?
Livre, sem que foste alforriado, resumo de todos estes escritos que me afligem a memória, que buscam retomar veredas paradisíacas que deixamos no passado, onde te deixei um dia - para nunca mais te encontrar.
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