domingo, 19 de setembro de 2010

Eu não desisti do amor!


Mar de corpos entrelaçados
Rastro de barquinho solitário que se afasta
Delicados remoinhos de nádegas azuis que nos convidam ao mergulho
Píer de falos sobrepostos descansando no final da tarde
Cheiro de cardume de peixes lânguidos umedecidos
Sebo esbranquiçado na forquilha da popa
Dedilhado de cordas desnudando velas de machos
Marinheiros desaparecidos em passagens secretas
Reencontros ensolarados sobre o piso da coberta polida
.
Transeuntes casas às margens silenciosas
Belas paisagens do mediterrâneo negro
Leigo olhar de luzes que me beliscam o juízo
Ruídos de espalhados dolby stereos
Aéreos hálitos de frutas tropicais exalam de línguas ainda vivas
Olhos distrópicos à deriva chocam-se contra a minha atenção estrangeira
Artilharia de crianças a estibordo protegidas por toldo
Feira de raparigas e meninos deitados como no sofá da sala
Malas com roupas reviradas procuram peças que se combinem
.
Fiada de pigmento humano em direção ao terminal de cargas
Óleo diesel convida à casa de máquinas
Afogueados gemidos entre o bater de pistões
Informações da geografia turística no prepúcio do mirante da proa
Sólido tombadilho que rebola à toa sob os nossos pés
Atracação de garotos que se despedem agarrados às sacolas
Marolas de panacuns com miseráveis pertences
Vultos ainda quentes que se dissolvem em minha direção
Compaixão de panos coloridos flamulam aos ventos do convés
.
Viés de corpos amotinados avançam contra os mistérios da criação
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